Renegociação de dívidas frustradas (2017)

Na segunda pesquisa realizada em 2016 foram avaliadas as condições de renegociação de dívidas enfrentadas pelos consumidores. De acordo com o indicador de inadimplência do Banco Central, os contratos renegociadas passaram a ocupar a segunda posição no ranking da instituição, atrás apenas do cartão de crédito rotativo. Diante desse resultado, a pesquisa realizada com 1815 internautas identificou que 53,6% já renegociaram dívidas bancárias e mais da metade desse grupo voltou a ficar inadimplente e com o nome negativado. Os consumidores apontam a inflexibilidade dos bancos nas renegociações e os bancos apontam que facilitam os acordos. Mas o indicador de inadimplência aponta um desequilíbrio na relação e ausência de regulação, favorecendo os bancos com a oferta agressiva de crédito e, na renegociação das dívidas impondo acordos fora da capacidade de pagamento.


Metodologia:
A pesquisa sobre renegociação de dívidas foi realizada em duas etapas, a primeira com consumidores e a segunda etapa com os bancos. A pesquisa quantitativa com consumidores foi realizada com 1815 internautas com idade acima de 18 anos de ambos os sexos e todas as classes sociais em todo o Brasil, o acesso ao questionário foi disponibilizado ao público através do site do Idec. Com os bancos a pesquisa foi qualitativa, os cinco maiores bancos do país que concentram 80% do crédito disponível no mercado, receberam um questionário com 22 questões abertas. As coletas das duas etapas foram realizadas no período entre 29 de julho a 30 de setembro de 2016.


Resultados:
A experiência dos consumidores sobre renegociação de dívidas e a opinião dos bancos sobre a política de tratamento ao endividamento são conflitantes e indicam pouca flexibilidade nas propostas oferecidas ou muitas vezes impostas, diante da agressividade da publicidade de crédito até para renegociar dívidas.


Os principais resultados observados na pesquisa apontam para a dificuldade dos consumidores em obter novos acordos de prazos de acordo com a renda, transferência das dívidas para escritórios especializados em cobrança sem a comunicação prévia e por não permitir a renegociação de dívidas que ainda não estão em atraso. Enquanto os bancos alegam ter políticas de tratamento e facilitar os acordos, a repactuação e alongamento da dívida, se apresentam como a única alternativa oferecida para solucionar o problema do endividamento.


Os consumidores entrevistados dizem que não conseguem renegociar as dívidas antes de gerar atrasos ou ter o nome negativado e apontam a inflexibilidade dos bancos nas propostas apresentadas como condição para aceitar os acordos e pagar as dívidas.


Os bancos admitem que as renegociações são realizadas predominantemente pela área interna de cobrança, apesar de não informar números objetivos. Destacam apenas que as renegociações em feirões, mutirões e por intermediação de empresas pela internet ou de entidades de defesa do consumidor é um número muito pequeno e não são representativos diante dos próprios acordos firmados.


Por outro lado, os bancos dizem possuir políticas acessíveis para renegociação de dívidas, que fazem monitoramento frequente dos níveis de utilização dos créditos rotativos e adotam procedimentos para acolher o endividado, promovendo orientação sobre educação financeira.


O cenário avaliado destaca a vulnerabilidade dos consumidores diante das frustações pelo descumprimento dos acordos, as renegociações sem analise da capacidade de pagamento, o agravamento da situação do endividamento e a reincidência no cadastro de proteção ao crédito. Essas ocorrências contribuem para a preservação do ciclo de transferência de renda na forma de juros e a exposição permanentemente ao uso do crédito, um desequilíbrio nas relações sobre contratação de crédito e a capacidade de pagamentos.

Matérias na Revista do Idec - 2017

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